quinta-feira, 8 de março de 2012

Blog da vera couto: ESPERANDO...

Blog da vera couto: ESPERANDO...: Você parou pra pensar que passamos a vida esperando? Sim... esperando alguma coisa... O telefone tocar... a encomenda chegar... Páscoa, Mãe...

ESPERANDO...


Você parou pra pensar que passamos a vida esperando? Sim... esperando alguma coisa...
O telefone tocar... a encomenda chegar...
Páscoa, Mães, Aniversário, Natal...
O tempo melhorar... a estação modificar...
A diarista não atrasar...
A adolescência e com ela a tão prometida liberdade, e talvez sozinha viajar...
O namorado chegar ou uma ligação que faça o coração disparar...
O casamento com o príncipe encantado, com todas as pompas e o famoso lar doce lar...
Nove meses esperando o filho e depois segue esperando ele da balada chegar...
Pensando no vestibular e por que não dizer pensando na formatura que vai bombar...
Uma proposta de emprego ou até o resultado do concurso público realizado dias atrás...
Férias tão sonhadas, não fazer nada, ler um bom livro, esperando para viajar...
Um telefonema de um amigo distante ou que mora na mesma cidade, esperando... simplesmente um olá...
Esperando... esperando... sempre...



quarta-feira, 30 de novembro de 2011

UM DIA FOI MODA - Parte I



Desde os tempos de escola sempre gostei de pesquisas, passava tardes inteiras na biblioteca pública procurando novidades, imagine se na época tivesse internet. Então, resolvi fazer um levantamento das lembranças dos anos dourados, mais precisamente entre 1970 e 1980 (minha adolescência) para que você leitor viaje comigo.
Não é saudosismo, apenas curiosidade, tenho visto freqüentemente programas em canal aberto e fechado comentando sobre o passado, palavras, propagandas, expressões! Resolvi buscar na internet sites que comentam sobre isso. O tempo passa e as palavras vão ficando pra trás, vão sendo substituídas e é muito engraçado relembrá-las, mas claro que para os jovens estas palavras ou expressões são completamente estranhas. Convido você há parar um pouco suas atividades e tente lembrar-se das coisas agradáveis que fizeram parte da sua infância e adolescência, principalmente na década de 70 a 80, você terá boas surpresas. Acredite, eu não sou a única a lembrar. Muitas vezes nos reunimos entre amigos e parentes apenas para dar boas gargalhadas desta época que agora passo a comentar com vocês.
Alguém já ouviu falar de “camisa volta ao mundo”? É claro que o tecido não deu a volta ao mundo, né? Era um tecido sintético para ser usado no verão, não precisava usar o ferro, moda na década de 60 e início de 70. O problema era que esse tecido não transpirava e dava um cheiro horrível no final do dia, a famosa “asa”. Outro tecido muito usado era o “ban-lon”, também sintético, muito confortável, para os homens era uma espécie de camiseta pólo e para as mulheres um tipo de twin set.
O jeans de hoje, no passado era “brim coringa”, com uma propaganda que dizia: “a roupa que não encolhe, exija as legítimas. As calças compridas eram “eslaques” e para ir à reunião dançante (balada) era usada a “calça de boca de sino” (pantalona). Outra marca de jeans lançado pela Alpargatas em 1965, foi a calça Topeka.
Nos pés era comum usar calçados como conga (sucesso de vendas em 1980, um tipo de tênis de tecido azul marinho e bico branco, muito macio, adotado também como uniforme escolar. Relançado em 2002 como um produto fashion). Depois veio o “bamba” um tênis clássico dos anos 80 e 90, primeiro lançado numa cor só e depois vieram com desenhos. Para os amantes do futebol veio o “kichute”, uma febre depois da Copa do Mundo de 1970, no México, até as meninas usavam para ir à escola (eu também usei). Ele tinha um cadarço enorme, e a moda era entrelaçá-lo na canela antes de amarrá-lo. “Guides” era outro nome dado ao tênis.
Os homens após fazer a barba usavam um pós chamado “aqua velva”, no cabelo o gel era “glostora” que prometia um brilho natural dos cabelos, perfumando e fixando, para perfumar uma colônia vinda da Argentina chamada Lancaster, lançada na década de 60.
A roupa íntima masculina era a ceroula (cueca) e a feminina, hoje conhecida como “soutiens” na época era chamado de corpinho e quando a calcinha era igual passava a se chamar combinação. Sem esquecer os absorventes íntimos descartáveis que só existia o Modess, que passou a ser fabricado no Brasil a partir de 1945. As mulheres adoravam colocar rolos no cabelo e depois aquele lenço colorido por cima, iam até o supermercado assim. No programa do Chaves a D. Florinda é adepta a esse figurino.
Provavelmente nossas mães enfeitavam a cama com uma Colcha Madrigal (chenille) lançada no mercado pela Alpargatas em 1967. E por falar em Alpargatas, as Havaianas foram lançadas em 1962. Fizeram tanto sucesso que todo o Mundo copiou, porém cópias “fajutas” como alertavam os comerciais da época. “Exija as Havaianas legítimas, que não deformam e não soltam as tiras”. Os modelos eram apenas dois: branco com sola azul claro e branca com solado preto. Para ficar mais moderninho virávamos o solado para cima, assim os chinelos ficavam coloridos. Em 2000 a empresa  Alpargatas bateu o recorde de vendas destes chinelos.
Aqui deixei algumas curiosidades destes anos dourados onde eu fui adolescente, segue a pesquisa... Até a próxima!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

VOU FAZER 50 ANOS


Num tempo não muito distante as geladeiras eram importadas chamadas “Frigidaire” e os ventiladores um perigo para as crianças, com suas pás de metal desprotegidas. Comia-se manteiga sem culpa no café da manhã, almoçava-se em casa, jantava-se lautamente. Fotógrafos ganhavam a vida fazendo três x quatro na praça ou surpreendendo casais e famílias que passavam nas ruas: os instantâneos ficavam prontos rapidinhos, em menos de uma semana. As contas eram pagas em dinheiro vivo. O correio trazia cartas e telegramas (hoje nos trazem dores de cabeça... as contas). As cartas aéreas eram escritas em papel fino, para não ficarem pesadas e, por conseguinte caras. Os comunicados fúnebres chegavam em envelopes com tarjas pretas, que lhes davam gravidade e os destacavam do resto da correspondência. Nas cidades pequenas o sino da igreja tocado pausadamente anunciava o acontecido. A televisão era um aparelho de luxo, lembro que a TV colorida só apareceu na minha casa em 1974. Para o grande público as notícias vinham pelo rádio e pelos jornais, que traziam informações de todo o tipo, das grandes manchetes ao resultado de concursos públicos. Mães zelosas guardavam revistas para os trabalhos escolares dos filhos e, em toda residência com um mínimo de recursos, coleções de livros de referência para jovens tinham destaque nas estantes, os mais afortunados tinha a famosa coleção “barsa”. Havia ótimo mercado para enciclopédias, vendidas de porta em porta, em suaves prestações mensais. E também dessa forma compravam-se cosméticos por livrinhos da Avon ou Cristhian Gray. A palavra “tecnologia”, apesar de inventada em 1829, não fazia parte do vocabulário geral.
         Em menos de 50 anos, a tecnologia alterou radicalmente o modo como vivemos. Nenhum aspecto do cotidiano ficou intocado, nenhuma pessoa escapou a sua influência. Se este impacto é para melhor ou para pior é discussão apenas filosófica. Um caminho sem volta!
Pergunto-me constantemente, “como é que conseguíamos viver antes da internet?!” Como encontrávamos telefones e endereços? Como sabíamos quais filmes estavam em cartaz? Como descobríamos os horários dos vôos, a temperatura em Natal, o valor da moeda estrangeira? A quem recorríamos para saber como se tiram manchas? Como conseguíamos esperar meses por uma carta? Como dependíamos apenas dos discos que estavam nas lojas? Como fazíamos quando queríamos a letra de uma música ou o trecho de um filme? Não vivemos mais sem you tube!! A moda? Ficávamos com o mesmo sobretudo por anos! Como elaborávamos o trajeto de casa para uma rua que não conhecíamos? A resposta para estas e tantas outras se torna cada vez mais remota.
         E o celular? Era preciso ficar de plantão no escritório esperando uma chamada, ou então ditar todos os passos para a secretária, para assim agendar compromissos. Hoje localizamos qualquer pessoa em qualquer lugar num clicar de teclas.
E a fotografia? Era necessário comprar um filme de 12, 24, 36 ou 42 poses e rezar para tudo dar certo, não perder o foco ou tremer na hora. Hoje é tudo instantâneo  e queremos ver o resultado assim que a foto é tirada.
O que conta é que de 50 anos para cá passamos a ser todos muito bem informados e escravos dessa tal tecnologia. Antigamente  a medida da curiosidade de uma criança restringia-se ao que sabiam os adultos, à sua volta, aos eventuais livros de casa ou de uma possível biblioteca nas proximidades. Hoje as crianças ensinam muito mais do que aprendem conosco. Quem nascia longe dos grandes centros estava preso as limitações locais. Hoje, com um pouco de curiosidade e uma conexão à Internet percebe-se que o mundo é uma pequena aldeia!

sábado, 7 de maio de 2011

MÃE

                             
        Palavra tão pequenina e que diz tanto, que chega a sufocar às vezes de tanta saudade. Lembranças da minha infância, do colo, da proteção. Lembranças dos meus filhos pequenos, da necessidade de protegê-los de tudo, de ficar bem pertinho, da bagunça no domingo de manhã, enfim.
Uma pessoa que perdoa e a tudo suporta, sem obter lucros e vantagens, sem querer um dia cobrar pelo amor dado? Esta pessoa só poderia ser a mãe.
Todos nós temos ou tivemos mãe, o pai até pode ser incerto, mas foi ela que passou nove meses dando amor, carinho a alguém que nem conhecia. Um pequenino ser que estava em formação!
Mãe que é mãe não é capaz de deixar um filho sem alimento, era preferível que ela passasse fome. Aquela que passava horas e horas em claro ao lado do filho enquanto ardia em febre ou chorava de medo do escuro. Que muitas vezes perdeu o sono esperando o filho voltar das festas. E o táxi-mãe, levando todos os amigos para que estes estivessem em segurança.
Tem uma propaganda linda na televisão, das lojas Renner, ela simplesmente diz tudo. “Tem um dia que os filhos vão querer a sua carona, mas não a sua companhia”. E outra que diz “ tem um dia em que os filhos vão embora, mas também tem um dia em que os filhos voltam”. Meu Deus, é uma propaganda mágica.
Neste dia das mães vamos olhar pra nossa mãe e agradecer, e com um grande abraço dizer bem no ouvidinho dela. “Mãe obrigada por eu existir”

sexta-feira, 8 de abril de 2011

A VIOLÊNCIA NO RIO DE JANEIRO


É impossível ficar alheia e calada diante de tanta violência. Nossas vidas são invadidas por notícias apavorantes de todos os lados: violência urbana, como assaltos a prédios de luxo, seqüestros, morte em escola municipal; violência da natureza como terremotos e tsunamis, violência de um modo geral. Não houve tempo para se recuperar do terremoto do Japão e logo em seguida uma tragédia bem perto de nós.
Nem nossas crianças escapam de tanta violência, seja em casa, como no caso do assalto ao prédio em Porto Alegre, seja na escola do Rio de Janeiro. Violência que só víamos nos filmes e nos noticiários estrangeiros, agora invade as manchetes locais. Lugares que nós adultos pensávamos invioláveis como uma escola municipal num bairro comum de uma grande cidade.
Leio jornais, vejo na televisão, procuro respostas na internet, mas todos estão atônitos, buscando explicações a um comportamento de um jovem desconhecido “Wellington”, de 24 anos, que simplesmente resolveu premeditadamente sair atirando e matando.
Hoje pela manhã já escutei de tudo, alguns especialistas tentam analisar, alguns se arriscam ao afirmar que o “matador” tinha comportamento esquizofrênico, outros que ele era um sociopata e outros o descrevem como um psicopata. Mas afinal, o que quer dizer cada um desses termos? Busquei algumas definições para cada um desses transtornos de personalidade.
Esquizofrênico: é um transtorno psíquico, alteração do pensamento, alucinações, delírios, alterações no contato com a realidade. Atinge 1% da população mundial, manifestando-se habitualmente entre 15 e 25 anos.
Sociopata: transtorno de personalidade, caracterizado pelo comportamento impulsivo do indivíduo afetado, desprezo por normas sociais, indiferença aos direitos e sentimentos dos outros. Não raramente tem um comportamento agressivo e diferente, que varia de caloroso para frio ou cruel dependendo de como quiser manipular, possuem grande talento em escrever e juntar rimas. A maioria dos sociopatas (72%) é do sexo masculino, muitos tem uma família desestruturada ou tiveram uma infância difícil e quando atingem a fase adulta, utilizam comportamento violento como meio de se “vingar” do passado, inconscientemente.
Psicopata: essas pessoas se caracterizam por um distúrbio mental grave caracterizado por um desvio de caráter, ausência de sentimentos genuínos, frieza, insensibilidade aos sentimentos alheios, manipulação, egocentrismo, falta de remorso e culpa para atos cruéis. Tem plena consciência de que seus atos não são corretos, tanto que na carta que o “atirador” deixou ele pede perdão pelo que fez e ainda tem o descaramento de pedir que rezem em seu túmulo.
Os psicopatas andam pela sociedade como predadores sociais, rachando famílias, se aproveitando de pessoas vulneráveis. Nem todo psicopata é assassino, alguns estão em escritórios, muitas vezes ganhando uma promoção atrás da outra enquanto puxam o tapete dos colegas, caracterizados como “cobras de terno”.
Sei que é contra a minha religião desejar a morte de alguém, mas ainda bem que o sargento da policia militar estava no lugar certo, na hora certa para atingir esse maluco e evitar que mais mortes ocorressem dentro daquela escola.
Não tem como imaginar a dor das famílias, um fato desta magnitude entristece a todos nós, nos causa uma sensação de vazio de impotência, de insegurança, de descrédito, uma inquietação, um sentimento inexplicável de muito medo!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

MORTE NO CARNAVAL

Está fazendo uma bela tarde de verão e o carnaval à noite promete ser inesquecível.
Vai anoitecendo rapidamente e o som das cuícas começa a soar pela avenida. O som hilariante dos instrumentos aumenta à medida que os blocos se aproximam, a alegria é contagiante. Os sambistas passam tocando e se divertindo, rindo até o amanhecer.
Pela manhã, os batuques continuam soando na avenida. O som vibrante não permite que alguns moradores durmam. Outros acordam e vão até a frente de suas casas conversar. Comentam que a noite estava muito quente e que talvez chovesse no final do dia. Isso prejudicaria tremendamente o faturamento do carnaval.
O movimento aumenta, muitas pessoas já estão de pé.  O som da cuíca está um pouco mais suave, porque a escola de samba se afasta do palanque principal.
Em meio aquele alvoroço de instrumentos e comentários, ouve-se um grito seco:
- Socorro! O Vilásio está morto!
Aquele grito misturado com o surdo da escola de samba, junto com os comentários, deixa a todos perplexos, gelados, arrepiados sem saber o que fazer. Os vizinhos espantados dirigem-se ao local.
Começou o velório. Choros, velas, luto, os familiares atônitos recebendo os pêsames. É tudo tão lúgubre e lá na rua sem tomar conhecimento de quem é Vilásio, o carnaval continua.
Sua morte não foi um motivo para terminar com o carnaval, afinal ele é apenas mais um habitante da pequena cidade.
Quando chegou a hora do enterro começou a cair uma chuva fina. O caixão era levado por seis pessoas. O sino da capelinha soava tristemente dando algumas badaladas. O choro e os comentários: como era bom o Vilásio, um bom pai de família, trabalhador, morreu cedo, 40 anos, pobre viúva Sarita, com quatro filhos pequenos, sem dinheiro, o que vai fazer?
O som do sino era confundido com a batida do surdo, do atabaque, do pandeiro. A escola iniciava novamente seu desfile na avenida.
A chuva fina continuou caindo. Chegaram ao cemitério, que ficava a poucas quadras da avenida do carnaval. O cheiro de vela, de flores, enjoava a todos.
Estava terminado o enterro. Restou só a dor da perda de um ente querido. Foram todos para a vila novamente.
A noite foi chegando e com ela o barulho ensurdecedor dos instrumentos. A vila estava triste, deprimida e sem brilho.
Mais tarde, as pessoas desta mesma vila, saíram e foram brincar no carnaval. A dor havia passado? Vilásio não representava mais nada? Ou simplesmente... foram brincar... para esquecer “as peças” que a vida apronta?

Publicado 22.11.1978